Se eu demorar uns meses …

Seguindo com nossa pesquisa sobre o sistema interativo Korsakow, trago hoje a indicação de um I-doc realizado pela produtora brasileira Doc Tela.

É o “Se eu Demorar uns Meses” baseado em relatos de presos políticos opositores ao regime desse período com explicam os criadores Giovanni Francischelli e Lívia Perez, “um dos assuntos mais obscuros da história política brasileira continua sendo o período da Ditadura Militar (1964-1985). Foram 21 anos de regime autoritário, conhecido por práticas repressivas violentas como prisões ilegais, invasão de domicílio, assassinatos e torturas. Ainda hoje, pouco se pode afirmar sobre o que aconteceu nos porões de presídios militares e centros clandestinos de tortura, já que a maior parte dos documentos foram destruídos ou permanecem inacessíveis à sociedade.”

Aqui o link: http://doctela.com.br/se-eu-d

Gravado no Memorial da Resistência, edifício histórico sede de uma das polícias políticas mais truculentas do país, o filme traz a memória do período encenada por meio de uma “virtualidade do real”para ficar aqui com Manuel Castells, o que coloca o documentário e a interatividade a serviço da reflexão e da verdade, abordando questões políticas, sociais, culturais e, sobretudo, históricas.

Navegação por telas
As sequências são conduzidas pelo espectador.

Um filme que merece ser visto !

Nuvens – o documentário.

Depois de terminar os artigos do Mestrado para primeiro semestre de 2020.1 é hora de relaxar um pouco antes de escrever a dissertação. Nessa folga rápida deixo aqui uma recomendação para esta semana, o documentário “CLOUDS”.

O link do Trailler.

https://cloudsdocumentary.com/#trailer

Imagens do i-doc “Clouds”.

CLOUDS é um documentário interativo e um retrato dessa comunidade de pioneiros digitais, explorada pelas lentes do código. O projeto faz perguntas sobre o futuro da criatividade em um momento em que os algoritmos desempenham um papel importante na formação da cultura.

O filme apresenta 40 artistas, designers e hackers que participam da co-criação de ferramentas gratuitas para expressão criativa. Refletindo a história dessas comunidades online, o software por trás do CLOUDS foi construído em C ++ ,usando OpenFrameworks e inclui visualizações interativas em tempo real pelos artistas apresentados no documentário.

Como ver bilhões de imagens ?

Lev Manovich. Cultural Analytics. The MIT Press, 2020.

Nossa dica de hoje é novo livro Lev Manovich.

Como me considero um pesquisador iniciante somente li o seu clássico de 2001, “The Language of New Media”, que não têm ainda tradução em português …

Desde já na lista para leitura assim que puder ! Transcrevo abaixo uma parte da sinpose.

“Como podemos ver um bilhão de imagens? Que métodos analíticos podemos aplicar na escala surpreendente da cultura digital – os terabytes de fotos compartilhados nas redes sociais todos os dias, as centenas de milhões de canções criadas por vinte milhões de músicos no Sound Cloud, o conteúdo de quatro bilhões de painéis do Pinterest? Em Cultural Analytics, Lev Manovich apresenta conceitos e métodos para análise computacional de dados culturais, com um foco particular em mídia visual. Com base em mais de uma década de pesquisas e projetos de seu próprio laboratório, Manovich – o fundador do campo da análise cultural – oferece uma introdução suave e não técnica a conceitos-chave selecionados da ciência de dados e discute as maneiras como nossa sociedade usa dados e algoritmos .”

Verdadeiro ou Falso ?

Homepage

No mundo das Fake News como está sendo tratada esta questão pelo documentário e seus autores ? Não somente o fato em si mas o formato de apresentar esta questão.

Num filme linear estamos sujeitos à voz do autor com muito pouco poder de intervenção. Na experiência do espectador realizada por computadores as coisas mudam. Como o filme documentário aborda os fatos ? Serão verdade ou falsos ? Quais os limites entre o real e a ficção ? Muitas são as questões, não há dúvida.

Dito isto minha dica hoje aqui é o I-doc:

http://therapeuticbiographies.com/korsakow-film2/

Realizado pela inglesa radicada no Canadá Jamie Griffiths, artista digital, diretora de cinema e artista performática, que no projeto utiliza com grande criatividade e inovação literária o software Korsakow.

Numa provocativa tensão narrativa questiona continuamente o espectador, verdadeiro ou falso ? Em suas palavras , ” foi apenas um experimento, mas fiz uma descoberta muito interessante. Não houve julgamento real, porque eles nunca poderiam realmente saber quais histórias eram verdadeiras e quais eram falsas. Alguns disseram que é verdade e outros que são falsos, e no final não importava. Assim me senti seguro, mas para minha surpresa e o mais importante, me curei de certa forma terapeuticamente no processo de fazê-lo. “

Boa dúvida !!

Aqui o site do artista – http://www.jamiegriffiths.com

Ensaiando com a realidade no doc interativo Reharsing Reality .

Realizado pela artista Nina Simões (2007) aborda a introdução de práticas estéticas do Teatro do Oprimido de Augusto Boal, em ocupações do MST – Movimento dos Sem Terra, no Brasil.

Ele foi montado no então recém lançado software Korsakow, que ao permitir interatividade às narrativas constrói um interessante paralelo entre o formato do documentário nas novas mídias e os processos de escolha que os membros do MST podem fazer individual e coletivamente acerca de questões políticas, sociais e culturais nas encenações levadas as comunidades.

O filme faz parte do seu trabalho de Doutorado na University of Arts de Londres, UK, “decidi explorar o uso das novas mídias para ilustrar as relações particulares entre artes e política, interrupção e narrativas, representação e autorias”, esclarece.

Home page

segue o link http://www.rehearsingreality.uk/


Na época a diretora propôs chamá-lo de docufragmentário, pois descrevia seu filme como uma série de sequências curtas que variam em conteúdo e tempo, permitindo um desenvolvimento muito fragmentário.

Enquanto as informações são passadas de uma forma específica nas sequências, seu significado pode ser construído ao escolher o que ver clicando nas miniaturas que vão surgindo abaixo da tela principal.

Estes “pedaços” de informação documentais variam de acordo com o que se escolheu, e influenciam o que vai aparecer em seguida de acordo com as interpretações do espectador, criando um aspecto inclusivo que o torna um participante ativo do trabalho.

Estou no momento finalizando um artigo sobre este I-doc relacionando conceitos que vimos na disciplina – Poder e Consumo na Sociedade Contemporânea – deste semestre. Espero trazer aqui em breve os resultados ! Até lá ! #ficaemcasa.


Pesquisa qualificada !!!

Muito feliz com o resultado da banca de pesquisa que foi qualificada no Mestrado em Indústrias Criativas na Unicap – Universidade Católica de Pernambuco, realizada nesta terça-feira, dia 30/06.

Agradeço meus orientadores, Prof. Doutor João Guilherme Peixoto @joaogmpeixoto, Prof.Doutor Anthony Lins @thonylins, Prof.Doutor Dario Brito @dario_brito e Profa. Doutora Kátia Augusta Maciel @kaaug , cabeças pensantes da academia brasileira !!

Nosso projeto têm com problema entender melhor as relações entre as unidades narrativas (databases) editadas nas interfaces do programa Korsakow e como elas podem ser utilizadas. O produto desta investigação será um e-book que vai ser disponibilizado aqui.

Em breve teremos novidades !

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Por que estamos fazendo uma exposição sobre a história do Übersee-Museum ?

Para esclarecer esta questão o Übersee-Museum, de Bremem na Alemanha lançou no final de 2019, um documentário inteiro editado no programa de mídia interativa Korsakow.

O filme revela ao público o lado menos visto nas exposições, mas que têm importância fundamental e somente é possível como o trabalho de pesquisadores, cientistas, arquivistas e outros profissionais colaboradores de diversas áreas, como podemos conferir.

Sua criação faz parte da exposição permanente “Procurando vestígios – História de um museu” , um passeio virtual que vai além dos existentes em outros museus.

Segue o link ! E vamos passear em casa. #ficaemcasa.

https://www.uebersee-museum.de/museumsfragen/


Para o site do museu: www.uebersee-museum.de
Sobre o Übersee-Museum: Übersee-Museum / Impressum

Mapeando novos terrenos, né McLuham ?

Quero trazer aqui hoje duas ilustrações propostas pelo pesquisador australiano Adrian Miles, em artigo de 2017, sobre o que ele imagina onde possa estar se situando o campo de estudo dos documentários computacionais, termo que ele também propõe.

Ele explica, “a figura 3 é mais apropriada, proposicional e didática. Aqui, os estudos documentais ainda se encontram dentro dos estudos de cinema, com a introdução do campo mais recente de novos estudos de mídia, sobrepondo estudos de cinema. Isso reflete a influência agora óbvia da digitalização na gravação, edição e distribuição do cinema, e o exame teórico do que essas mudanças provocaram na produção, no estilo, na economia e na agência de mudanças do público. Também reflete a extensão em que os estudiosos do cinema e dos estudos documentais confiam nas teorias de Lev Manovich, em The Language of New Media, para criação de novas mídias”. (MILES, 2017, pg. 9, tradução nossa).

Já nesta figura ele sugere ” a figura 4 é uma maneira mais interessante de se questionar sobre o documentário interativo como um emaranhado confuso de pessoas, mídia, tempo, tecnologias, interatividade, materialidade e produção, do que os estudos de cinema e documentário alcançam por si mesmos. Isso está mais próximo do que algo chamado não-ficção computacional poderia fazer. (MILES, 2017, pg. 10, tradução nossa).

A proposta de estudos proposta por Miles situa-se na confluência entre as Teorias de Ator Rede e Novo Materialismo para o campo no que esclarece ainda: ” neste desenho, os estudos de cinema não fornecem mais as lentes principais para a exibição e a realização de documentários interativos, sugerindo que os estudos interativos são uma bricolagem de estudos de cinema e documentários, além de estudos de software, novas mídias e códigos, com o novo materialismo incentivando um determinado teor ou carimbo para tudo. ” (MILES, 2017, pg. 10, tradução nossa).

As referências deste post são do artigo: “Matters of concern and interactive documentary: notes for a computational nonfiction“. de Adrian Miles (2017) School of Media and Communication, RMIT University, Melbourne, Australia.

Espero que possa ter sido um norte para minha pesquisa, até breve !

Este post teve como trilha sonora o Álbum Supertramp Live 1997.

Codoanaut – Onde nos programamos ?

Têm sido diferente a rotina desses dias de 2020. A pandemia nos obriga a repensar /reorganizar todas as rotinas diárias. A simples ida ao mercado, organizar casa / trabalho / escola, receber uma encomenda, organizar leitura ou consolidar um projeto de pesquisa se tornam tarefas dignas de heróis das galáxias !

E esse repensar/reorganizar vêm sendo feito cada vez mais no uso cotidiano de aplicativos que utilizam de inteligência artificial, o paradigma invisível que nos controla e conduz por labirintos digitais.

Para pensar mais e melhor sobre esta inteligência recomendo para esses dias de quarentena “ver ” o documentário “Codonaut”, dirigido por Florian Thalhofer, Félix Pauschinger e Stefan Westfal, editado na plataforma do Korsakow.

O doc aborda o assunto usando as interfaces do programa que permitem caminhos narrativos explorados a partir de referências que vão de citações sobre a evolução da tecnologia computacional de Assimov, de textos do filme 2001 Odisséia no Espaço e de previsões feitas por cientistas, filósofos, estudantes, médicos, escritores e outros personagens da Alemanha de hoje.

Apesar de ser falado em alemão grande parte do I-doc têm legendas em inglês, o que torna a experiência acessível. Para quem já acompanha o cenário de filmes interativos destaco o design e sobretudo a possibilidade do “olho do pássaro”, recurso que permite visualizar o conteúdo de forma geral, e que dá ao espectador a possibilidade de acompanhar quais partes da linha da história ou dos personagens já foram assistidos.

Recomendo muito e deixo aqui o link !

Codoanaut – Onde nos programamos ? http://codonaut.de/

Este post foi escrito com a seguinte trilha sonora: Dieter Schnibel – Motetus I, Sibelius – The Oceanides OP.73 Yale version, New Order, Bicep, Urban All Stars e DJ Zinc.

Acertando o rumo.

Nesta semana que passou (07/04) realizei encontro virtual com meus orientadores da UNICAP, Professores Anthony Lins e João Guilherme. Antes de tomarmos o assunto principal foi Inevitável conversar um pouco sobre os momentos que vivemos aqui e no mundo e das incertezas sobre o dias futuros.

Para o projeto discutimos e decidimos ajustar o foco do problema no uso das interfaces, e como estas ‘causam’ o encadeamento das narrativas interativas nos filmes realizados com o software Korsakow. Nos últimos dias me concentrei em buscar mais evidências destes ‘comportamentos’ levantando no banco de dados do site do programa, quantos filmes existem disponíveis para visualização. Os números são de 107 filmes com links cadastrados, sendo 52 com links ativos.

Foi decidido revisar o texto do projeto e renovar os contatos aos professores que farão parte da banca de qualificação, entre eles o Prof. André Paz, pesquisador chefe do BUG404, para consolidar breve um cronograma atualizado. Também foi proposto o contato com Mr. Florian Thalholfer, o criador do programa, para uma possível contribuição no desenvolvimento da pesquisa.

Por fim foi definido a escolha de um dos artigos (disponíveis aqui http://meufilme.com.br/?page_id=38 , no blog para consulta) já produzidos ao longo do mestrado, para participar de chamada de trabalhos da revista Fronteiras – estudos midiáticos, publicação da Unisinos, destinada à comunidade científica da área de ciências sociais e humanas, centrado em temáticas diretamente concernentes aos processos midiáticos.

Até breve e #ficaemcasa, #stayhome.